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Viagem sem Rumo( Luiz André)


 
A noite está linda, as estrelas brilham como nunca, a lua banha a noite com a sua luz prateada.
 O trem está muito rápido, a paisagem passa muito depressa aos olhos de quem olha pela janela.
 André acorda meio desnorteado, sem a mínima noção de tempo e espaço, ele apenas sente um gosto horrível (o mais horrível que já sentira em toda a sua vida), um gosto amargo em sua boca. 
No ultimo vagão do trem, se esconde entre as sombras da noite, descansa algo, esperando o momento certo para completar a missão que lhe foi designada.
 
De repente, escuta-se um grito de agonia vindo de uma cabine do quinto vagão. Era André quem gritava. Ele estava sofrendo algum tipo de transformação. Alguém bate na porta de sua cabine, ninguém atende. A pessoa que batia na porta resolveu entrar. Quando ela entrou, ela disse:
 
– Tudo bem com você, amigo?
 
André vira-se de repente. A pessoa que estava na cabine soltou um grito de horror, de espanto e de medo ao ver àquela criatura, meio lobo meio homem, com os olhos vermelhos, feito bolas de fogo ardendo no inferno, com a respiração muito quente, olhando para ela.
 
O que estava escondido nas sombras do ultimo vagão, ficou alerta, levantou-se retirou da mochila que carregava nas costas, um arco e flecha, ambos muito modernos e feitos de prata pura.
 
A pessoa que antes entrara na cabine de André, agora não passava de um cadáver, com sangue ainda escorrendo do pescoço.
 
Finalmente, a pessoa que se escondia no ultimo vagão resolveu sair. Ela não mostrava o rosto, estava vestindo um sobretudo preto, estava calçado um coturno, uma faca (de prata), e o arco e flecha.
 
O que antes era um homem normal, agora era um lobisomem, e ele estava indo atrás de seu caçador, que fazia o mesmo trajeto.
 
Ao chegarem ao meio do trem (vagão do meio), o caçador ficou encarando o lobisomem por alguns instantes, até que a fera, movida por uma raiva incontrolável, ataca o caçador. E este retira rapidamente da cintura a sua faca e atira contra a fera, acertando o braço (pata) esquerdo (a), fazendo o bicho soltar um uivo de dor. O caçador tira da mochila, enquanto a fera tenta retirar a faca que está cravada em seu braço, um revolver Magnum
 calibre 45 e dispara quatro vezes contra o lobisomem. A fera desvia de todos os tiros, e revida com um pulo no peito do caçador, arremessando o mesmo no chão e fazendo-o soltar o revolver. Nesse instante, a fera da uma mordida no braço do caçador, que estava na frente do seu rosto para protegê-lo do lobisomem. Como num passe de mágica, o caçador fez com que o lobisomem o soltasse. Sentindo muita dor, o caçador sacou o arco e flecha, e disparou contra o lobisomem, acertando o pescoço da fera. O lobisomem ficou imóvel no chão, chance perfeita para o caçador matá-lo, e o caçador pôs outra flecha no arco, chegou perto do lobisomem e disparou contra o coração dele, fazendo o lobisomem soltar um ultimo uivo. 
Após ter matado o lobisomem, o caçador percebe que não tem mais flechas, ele também não tem forças para retirar a faca do braço do lobisomem.
 
Ele percebe que está se transformando em um lobisomem, nesse momento ele se desespera. Como a licantropia não tem cura, só havia uma saída para ele, à morte. Mas, como ele vai se matar se não há arma por perto?
 
O trem continua a sua jornada, mais rápido do que nunca. Exceto pelo condutor e pelo caçador, não havia outro ser vivo no trem.
 
Cada segundo que passava, parecia ser uma hora, para o caçador, que sentia aquele vírus proliferando dentro de suas veias, tomando o controle do seu corpo e de seu cérebro.
 
Após algum tempo, o caçador olhou para o lado, já com os olhos idênticos ao do lobisomem, e viu que estava jogado num canto, o seu revolver calibre 45. Ele foi rastejando até o revolver. Chegando perto do revolver, ele esticou o braço, soltando um grito alto de dor, quando ele pegou o revolver, ele puxou o cão e pôs o cano do revolver na boca e apertou o gatilho. Após o barulho do tiro, houve um tremendo silencio, bastante sangue escorrendo e mais um cadáver no meio do trem.
 
Já passava das duas da madrugada, o trem continua a sua viagem sem rumo, rumo ao nada, ou está indo atrás dos próximos destinados a morrer.
 
O condutor vira para trás e sorri, com um sorriso maléfico. Quem olhasse nos olhos do condutor poderia perceber certa felicidade naqueles olhos vermelhos...

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