Hospital
Mais um dia
amanhece, e a rotina chata e completamente tediosa daquele hospital já estava
começando. O paciente mais grave da Ala E, um menino que tinha apenas 13 anos e
tinha câncer na laringe, estava a caminho da quimioterapia, como de costume. Um
senhor de meia idade, que não havia cuidado muito bem de sua saúde quando ainda
era jovem estava indo para uma de suas seções diárias de hemodiálise. Uma
menina iria ser submetida a uma doação de medula óssea para tratamento de
leucemia em poucos minutos.
Uma ambulância
acabara de estacionar em frente ao hospital, e os paramédicos estavam levando
um homem que posteriormente seria identificado como Ricardo Eugênio, que
sofrera um grave acidente de moto. Ele fora levado diretamente à sala de
cirurgia, porém não resistiu aos ferimentos e logo depois foi declarado o seu
óbito.
Na
sala de espera, um garoto negro, aparentemente 14 anos de idade, estava
aguardando o seu atendimento há algumas horas, sua mãe já estava ficando
nervosa com a recepcionista do hospital, porém o menino não estava se
importando com a situação. Ele estava com os olhos e os pensamentos vidrados na
televisão, onde estava passando um filme de terror. Na cena que estava passando
naquele momento, um morto-vivo que acabara de levantar de seu túmulo havia
encurralado uma menina e ali, naquele cemitério, havia comido parte de seu
cérebro. O menino acabara vomitando ao ver a cabeça da menina do filme aberta.
A mãe do menino ao vê-lo vomitando se desespera e grita o seu nome, fato esse
que fez toda a sala de espera, que tinha em seu total 6 pessoas além do menino,
olharem para ela com olhar de repressão, pois ela estava incomodando todas as
pessoas que ali estavam. O Menino olha para sua mãe e solta uma alta
gargalhada, e fica com um sorriso maroto em sua face por um momento, até ver
que ela não respondeu à sua brincadeira. Nesse momento ele voltou-se para a
tela da televisão e o continuou vidrado no filme, que estava já no seu
desenvolvimento, onde já havia uma maneira de acabar com o exército de mortos vivos
que havia se formado a partir do primeiro, o que matara a menina no cemitério.
Já
haviam se passado algumas horas depois do meio dia, para ser exato, o relógio
que ficava localizado na torre leste da prefeitura, estava marcando 16h54min,
mais um dia de trabalho naquele hospital já estava acabando, e pela falta
gradual de médicos, nem todos os pacientes foram atendidos. Muitos desses
pacientes voltavam para as suas casas com muitas reclamações.
O sol
já havia cedido o seu imenso espaço, o seu imenso céu às primeiras estrelas da
noite, e a luz prateada, ao brilho intenso do luar. A noite logo cairia, e com
ela o frio viria, viria como uma forte tempestade de verão, que descarrega
imediatamente a sua fúria, e logo depois sai de cena, como uma atriz morta em
uma cena de novela. E assim foi. O vento investia furiosamente contra as
janelas de cada casa, cada imóvel daquela cidade.
Em um
bairro distante do centro...
Aquela
noite seria uma noite que Gabriella jamais se esqueceria, pois naquela noite
ela acordou com problemas, de saúde, fato esse que a levaria para o hospital na
manhã seguinte. Ela estava com os olhos ardendo, e a cabeça doendo muito. Ela
estava gemendo de dor. Seu pai, um homem de meia idade e calvo, levantou e foi
ao quarto dar uma olhada na sua filha. Ela estava com muita febre, suando frio,
e tremendo muito. Seu pai não saiu do seu lado durante toda a madrugada.
Já é
de manha. O sol é uma grande esfera amarela brilhante de fogo, aquecendo a vida
terrestre. O canto dos pássaros, em sua maioria pardais, ecoava delicadamente
pelas ruas estreitas do bairro, até entrar carinhosamente nos ouvidos que ainda
dormiam tranquilamente naquela bela manhã de terça-feira.
A
vida naquele bairro sempre foi a mais tranquila possível, raramente aquela tranquilidade
era rompida por algo. Muitos diziam que aquele bairro era o melhor bairro para
morar naquela cidade, muitos outros diziam que antes do bairro ser formado,
aquele lugar era uma grande extensão de terra, onde as sextas-feiras, pessoas
se reuniam para fazerem seus ritos macabros, onde muitas pessoas foram
brutalmente assassinadas para satisfazer a vontade daqueles seres ocultos que
tantos outros idolatravam. Segundos os boatos dos primeiros moradores do
bairro, uma menina de 13 anos, que se chamava Márcia Luiza foi brutalmente
raptada e levada para o centro daquele lugar e morta na data do seu
aniversário, porque as pessoas acreditavam que ela seria uma reencarnação da
“dama preta”, uma mulher que antigamente havia feito um pacto com o diabo.
Nesse pacto, ela venderia a alma e o corpo em troca da enorme fortuna que seu
marido havia arrecadado em toda a sua vida. Seu marido desapareceu 13 dias
depois. Ela morreu após 13 anos que seu marido havia desaparecido. Dizem que
após ela desaparecer, seu corpo e sua alma forma tomados pelas trevas, e que
ela havia se tornado a mulher do diabo. Márcia era idêntica a ela, por isso foi
mortal brutalmente por aquelas pessoas. Dizem também que seu espírito ainda
vaga pelas casas do bairro, mas é na sexta-feira 13 que ela volta e descarrega
sua enorme fúria contida nos descendentes daqueles que a mataram inocentemente.
A sua casa preferida está situada à Rua 13 em frente a casa 634 assombrando e
amaldiçoando cada pessoa que passa por ali. Mas, tudo isso não passa de mera
especulação. Ou será que não?
.
Gabriella e seu
pai acabaram de chegar ao hospital, pois ela estava muito pior do que na noite
passada. Ela estava com 40 graus de febre, seus olhos lacrimejava sem cessar,
sua boca estava ressecada e ela gemia de dor. Ela foi diretamente para a sala
de espera, quase não conseguindo enxergar. Chegando lá, ela se senta na última
cadeira da última fila. Ela dá uma breve olhada ao seu redor para se distrair,
a visão estava embaçada, mas ela conseguiu ver algumas coisas. Ela via às suas
costas um grande corredor, onde havia algumas portas nas laterais, ela julgou
como os consultórios médicos, e uma grande porta no final do corredor onde
tinha uma escrita sobre a porta, ela não conseguiu ler o que estava escrito.
Ela julgou como a sala de cirurgia. Ela estava se sentindo muito pior do que
quando chegara ao hospital, e desmaiaria em instantes. Ela sente um mal súbito,
e ao fechar os olhos para desmaiar, quando ela já estava deitada sobre as
cadeiras, ela viu uma mulher completamente coberta com uma manta preta, ela
segurava algo em mãos, algo que na hora Gabiella não foi capaz de assimilar,
mas iria se lembrar ao acordar. Era um coração, um coração humano.
Tudo parecia
estar no seu devido lugar. Gabriella não via mais ninguém além dela, do pai e
de outra pessoa que estava de cabeça baixa sentada na primeira fila. Estava a
espera de alguém que estava sendo atendido. Possivelmente era a mãe do homem
que estava há algumas horas na sala de cirurgia. O silêncio era quase total
naquela sala, apenas a televisão que estava num volume baixo – baixo de mais
para alguém conseguir escutar – rompia aquele silêncio que agonizava para ser
quebrado.
O filme de hoje
não era sobre zumbis, mortos-vivos, demônios, ou algo que se encaixaria no
gênero terror/sobrenatural. Era um filme de ação, onde o mocinho que trabalhava
para a polícia americana perseguia um ladrão de bancos, e no decorrer da trama,
esse ladrão vai revelando ao policial quem são os seus verdadeiros inimigos. O
Filme já estava no seu desfecho, aonde o bandido vai para a cadeira elétrica,
por assassinar 5 pessoas, todas aparentemente inocentes.
A recepcionista
estava completamente imóvel, não respirava, e estava com aquele sorriso de
sempre na face. Um sorriso demoníaco. Um sorriso que assustaria as crianças,
invés de acalmá-las para enfrentar uma ou duas injeções.
Já havia certo
tempo que ninguém entrava pela porta do hospital. A enfermeira, enfim, dá um
sinal de vida, ela levanta da sua cadeira, e sai do seu posto, vai para a sala
do zelador, e após alguns segundos ela volta para seu posto. Gabriella respira
aliviada, pois ela realmente achava que a recepcionista do hospital estava
morta. Quando Gabriella percebeu o seu pensamento, ela sorriu levemente por
alguns segundos, até voltar a sua atenção novamente para a recepcionista, que
agora estava na porta do hospital, com aquele sorriso demoníaco no rosto. Ela
estava abaixando as portas, e as trancando. Gabriella se desespera, mas não
pode fazer absolutamente nada, porque ela estava muito mal, não tinha forçar
para gritar, nem se levantar.
Alguém vem
caminhando por aquele longo corredor. Passos firmes, largos e ritmados,
marcavam a presença de alguém decido vindo de encontro a alguém que estava na
sala de espera. Seria o médico que atenderia Gabriella, ou seria um dos médicos
que viriam falar com aquela mulher? Dariam uma boa notícia, ou uma má notícia a
ela? Gabriella já saberia, pois o médico, um homem alto, forte, aparentemente
35 anos, havia chamado alguém de nome Maria, e de súbito aquela mulher
levantou, ainda com a cabeça baixa.
Gabriella não
sabia como, mas ela já sabia exatamente o que o médico falaria com aquela
mulher. Seu filho não havia resistido aos ferimentos do acidente de carro e
acabara morrendo.
Aquela mulher
abraça o médico fortemente, começa a gritar e a chorar alto. Em circunstâncias
normais todos no hospital, ou pelo menos os que estavam por perto, olhariam
para aquela mulher, mas não havia ninguém lá. A recepcionista não moveu um
músculo se quer, e o pai de Gabriella ficou indiferente, como se não estivesse
vendo nem escutando aquela mulher. Porém, Gabriella ficou muito assustada. Seus
olhos estavam arregalados, a sua mão tapava a boca em reação àquela cena, que
ela via, porém não era capaz de crer.
Aquela mulher já
havia cessado com seu pranto, e agora um sorriso disfarçado estava no seu rosto
ainda molhado pelas lágrimas. Ela estava ao lado de Gabriella, e a olhava
fixamente nos olhos. De súbito, ela coloca as mãos para trás e logo depois vira
o rosto para outro lado. Em fração de segundos, ela vira o rosto para
Garbriella, com um sorriso diferente na face. Ela estava com o sorriso da
recepcionista, o mesmo sorriso demoníaco. Ela coloca a sua outra mão em um dos
bolsos de trás de sua calça jeans desbotada, e rapidamente deixa as duas mãos a
mostra. Ela segurava um coração humano, o coração ainda batia muito lentamente,
agonizava, implorava pela vida…
Gabriella não
teve qualquer reação ao ver aquele coração ali nas mãos daquela mulher. De
alguma forma ela sabia de quem era aquele coração, pois ela – talvez só ela –
estava vendo uma inscrição gravada ali no centro daquele órgão, que parecia tão
patético naquela situação. Algo começara a aparecer ali, eram números, mas não
quaisquer números, era uma data que estava se formando, uma data de nascimento…
09…87
09…95
1…04
9…16
9…
6…
…Foi tudo tão
rápido como um relâmpago cortando o céu numa breve tempestade de verão, porém
para ela tudo aquilo havia durado uma eternidade.
A mulher sorria
alegre e maleficamente olhando para o rosto pálido e assustado de Gabriella.
Ela agora apalpa o coração com enorme prazer. Apalpadas firmes, que refletiam o
medo no semblante daquela menina que estava ali parada em sua frente.
Gabriella já
sabia que aquele coração era o dela, mas ela ainda se fazia uma pergunta em
meio a tudo isso, a dor, ao medo: “Se aquele realmente é o meu coração, como
eu ainda estou viva? E como ela o arrancou sem abrir o meu peito?”.
Agora aquela
mulher ergue o coração, como se o estivesse preparando para algum rito,
sacrifício, ou algo satânico. Ela fala algumas palavras que não faziam o menor
sentido, um idioma que não era mais falado pelas pessoas desse mundo, e logo
depois ela aperta o coração com tanta força, que suas unhas adentraram no
coração, fazendo com que ele desistisse imediatamente de lutar amargamente, a
implorar lamentavelmente pela vida. Ela olhava o coração com muita admiração,
como se ele fosse uma joia rara, difícil de ser encontrada. Seus olhos
brilhavam ao olhar para ele, e brilhavam mais ao olhar para aquela menina, que
agora estava chorando de medo.
Gabriella não
estava acreditando no que os teus olhos estavam vendo. Aquilo tudo não poderia
ser real. Isso! “É apenas um sonho ruim. Logo vou Acordar.” Esse era o
pensamento que passava pela cabeça confusa de Gabriella.
Será que tudo
aquilo era realmente um sonho? O que estava acontecendo antes os olhos negros
de Gabriella era apenas coisa de sua cabeça? Uma realidade paralela criada por
ela para fugir do mundo, e das coisas que a faziam sentir medo? Tudo isso era
um mundo criado por Gabriella através de seus medos? Um mundo onde ela poderia
enfrentar cada um dos seus maiores medos, superá-los e depois voltar ao mundo
real completamente “curada”?
Um de seus
maiores medos era o de enfrentar a morte, ficar face a face com o maior temor
humano. A imagem da morte que Gabriella havia criado em sua mente era
completamente diferente daquela que ela via agora em sua frente. Não era uma
mulher que segurava o seu coração, olhava para ele com desejo e prazer
misturados ao pavor daquele sorriso. A imagem de morte que passava pela cabeça
dela era de alguma coisa vestida de preto, com um rosto de caveira, chifres
enormes, segurava uma foice maior do que ela mesma em uma das mãos, e um
caderno na outra mão, onde os nomes das pessoas que morreriam seriam escritos
com sangue.
Aquela mulher
agora apertava o coração com mais força. Havia mais prazer naquele olhar, mais
prazer naquelas gargalhadas altas que ela dava ao olhar para o rosto contorcido
de dor daquela menina. Agora a mulher chega mais perto de Gabriella, coloca a
sua língua para fora da boca, sua língua estava totalmente ferida e fedia a um
cadáver em estado avançado de decomposição. Ela começa a lamber o rosto de
Gabriella, e vai descendo até parar no tórax, no local exato onde o coração
fica localizado…
Gabriella não
tem mais reação. Ela apenas está paralisada de medo, a respiração estava
rápida, forte e ofegante. Seus olhos semicerrados já anunciavam que ela havia
desistido de lutar contra aquilo, seja o que fosse. Ela apenas já estava
entregue ao desejo do destino, que na opinião dela era a morte precoce apenas
com 15 anos de idade. O que passava na sua cabeça agora era um filme completo
da sua vida: A sua família, o namorado, os planos, o Sonho de ser mãe, o filho
que já tinha um nome – Pablo
Eduardo-, seu plano profissional. E num único instante ela vê tudo o que ela
sonhou, o que ela idealizou para a vida inteira se acabar. Uma lágrima percorre
o rosto de Gabriella, uma lágrima que expressava a tristeza absoluta, o mais
alto grau de inconformismo da parte daquela menina que se via agora
completamente indefesa presa nas garras da “Dona Morte”.
A boca daquela
mulher agora estava vermelha. Vermelha do sangue que outrora ainda restava
naquele coração. Aquele coração que agora estava sendo mordido com vontade,
como se aquela mulher estivesse perdida no deserto sem comer a semanas e alguém
a resgatasse, e a servisse um banquete digno de reis e rainhas. As mordidas
ficavam cada vez mais fortes mais estranhas e macabras. O coração era
dilacerado como um pedaço inútil de carne por um cachorro faminto… Após algum
tempo a mulher aparenta se cansar daquela seção de mordidas no coração, ela
joga-o sobre uma cadeira que estava ali por perto. Ela fixa o olhar diretamente
nos olhos de Gabriella.
Seu olhar
demonstrava descrença, angústia, medo, sentimento de inutilidade. Ela não tinha
mais reação há algum tempo. Não tinha mais pulsação, mas ainda sentia dor –
Muita dor —, um grande sinal que ela ainda estava viva, mesmo que ela desejasse
a morte naquele momento, a última coisa que viria para ela de presente seria a
morte. De repente tudo fica escuro e Gabriella já não é mais capaz de ver. Tudo
se torna preto, uma escuridão que vai tomando o mundo ao seu redor, o seu corpo
e a sua alma. Uma dor indescritível se apoderava do vazio onde ficavam os seus
olhos. Ela apenas sente algo encostando em seu rosto…
O coração fora
deixado de lado por um tempo por aquela mulher. Estava jogado ao chão,
dilacerado, sem vida, apenas mais um pedaço inútil de carne, sem qualquer valor
para alguém. Ele ainda implorava pela vida, mas não com míseras batidas, mas
com a sua feição, seu formato. A dor daquele pedaço de nada era quase palpável
a qualquer ser humano.
Era muito
parecido com goma de mascar o que aquela mulher estava mascando há certo tempo,
porém, tinha um cheiro muito diferente. Não era morango ou Tutti Fruitt, era um
odor ruim, um odor pobre… Era o cheio da morte.
Ela mascava, ria
e babava muito ao mesmo tempo. Uma imagem realmente muito assustadora, algo
saído das profundezas do inferno, enviado apenas para semear a morte e a
desgraça. Era essa a definição exata daquela mulher. Ela estava contente
mascando os olhos daquela menina, que agora estava calada, quieta sobre a
cadeira onde estava sentada.
A vida ia se
esvaindo daquele corpo que ainda estava em formação. Não era justo, que a morte
se apoderasse daquela alma tão cedo, tão de repente, tão precocemente. Mas,
Gabriella já não lutava mais contra o que ela chamou de vontade divina. “Se é
a vontade de Deus, que assim seja…”.
Ela ainda estava
imóvel, e pensando quando aquela tortura iria finalmente acabar. Quando ela,
enfim, poderia descansar em paz. Ela já não suportava mais tudo aquilo, era de
mais para ela. Ela ainda pensava, porque ninguém via aquela mulher? E onde
estava o médico? Para onde ele tinha ido? E subitamente, ela percebeu que o
médico não era real, era apenas alguém criado por sua mente. Alguém para
assumir a figura de uma pessoa que salva vidas, e que poderia salva-la naquele
momento, pois, inconscientemente, ela já sabia que algo ruim atentaria contra a
sua vida. Talvez ela não soubesse exatamente o que era, e nem poderia imaginar
que seria algo tão ruim, tão doloroso assim, mas de alguma forma ela sabia.
Os olhos – ou o
que sobrara deles – agora já não estavam mais na boca daquela mulher. Eles
estavam jogados de lado, com o coração. Aqueles olhos pequenos, que estavam
completamente destruídos, agora eram apenas nada, sem qualquer utilidade.
Já se passaram
algumas horas desde que tudo aquilo havia começado, e o fim não parecia estar
muito próximo. A tortura enfim havia parado, a mulher estava apenas rindo muito
alto e olhando para o pequeno rosto daquela menina. Ela se aproximava mais
perto do seu rosto a cada segundo…
Gabriella sente
algo se aproximando e grita para ela parar, para que ela desse um fim naquilo,
porque ela já não aguentava mais nenhum mísero segundo. Ela se desespera,
levanta da cadeira e tenta correr, mas ao levantar ela cai. Ela não havia
percebido, mas os tendões dos pés haviam sido cortados. Ela começa a gritar, a
se debater impulsivamente sobre o chão gelado.
A mulher pula à
sua frente, ainda mascando os olhos. Ela olha fixamente para o semblante
pálido, fraco e completamente indefeso daquela menina, e após alguns segundos
ela cospe os olhos que estavam eu sua boca no rosto de Gabriella.
Desesperada, sem
mais o que fazer, Gabriella apanha no chão os restos dos seus olhos, e numa
ação completamente irracional e inútil, ela tenta recolocar aquela massa
gosmenta no seu devido lugar. Sem obter o sucesso esperado, Gabriella se
revolta, reúne todas as suas forças restantes, segurou fortemente o braço
daquela mulher e fez com que a mão, atravessasse o seu peito, fazendo com que
ela despertasse daquele pesadelo, e enfim ela poderia descarregar a dor de sua
alma e nunca mais a sentiria novamente.
A mulher olha
para Gabriella com perplexidade. Não era possível que aquela menina havia
conseguido terminar com o seu sofrimento. Aquela mulher grita alto, sua voz
começa a ficar alterada, vai mudando o tom, passando do grave ao agudo, e se
transformou em algo indescritível, um som demoníaco. Logo depois ela se
transformou em pó e foi levada com um forte vento que passara por ali.
Tudo naquela
sala também estava se transformando em pó. O pai de Gabriella, a enfermeira, as
cadeiras, e a própria Gabriella também se transformou em pó.
– Pior do que a
morte natural é o suicídio, pois quando uma pessoa comete suicídio, o
sofrimento de sua alma é muito maior. E com Gabriella não foi diferente. Ela
foi condenada a vagar eternamente, ou até ela conseguir encontrar os seus olhos naquele hospital…
– Essa história
realmente aconteceu, pai? – Pergunta o menino assustado, com lágrimas nos
olhos.
O pai, um homem
nego de 27 anos, logo vira o teu olhar para a janela, vê apenas as casas do
bairro e bem longe o maior edifício da cidade, que estava abandonado há 13
anos, mostra um leve sorriso em teu rosto e diz bem baixo e lentamente ao
filho:
– Claro que é
apenas uma história, filho…
Um rato anda
rapidamente por um enorme corredor, vira à sua esquerda e logo chega a uma
enorme sala. Segundo depois a parede que antes estivera atrás daquele pobre
animal, agora está ensanguentada, o rato aparecera do outro lado morto e sem os
olhos…
Autor: L.A.bitz, 17 de julho de 2016
Mds... Eu amo essas histórias, já perdi as contas de quantas eu li, só sei que comecei a ler 3h 37min (a historia do acampamento) e agr 5h 58min estou terminando de ler essa história maravilhosa!!! Por favor não parem de postar! Eu quase nunca comento, mas me senti na obrigação de deixar esse comentário como motivação, vcs estão de parabéns!
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